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setembro 2017

Projetos visam ampliar o acesso ao Mercado Livre de Energia por todo o Brasil

Por | MERCADO LIVRE

Governo e Senado na Câmara dos Deputados, desenvolvem dois projetos de lei que visam ampliar o acesso ao Mercado Livre de Energia para consumidores residenciais. O principal objetivo desses projetos é abrir a possibilidade de contratar o serviço da concessionária para os consumidores residenciais da mesma forma que as pessoas escolhem suas operadoras de telefonia celular. As estimativas são de que, com o Mercado Livre, isso seria possível diminuir os custos com energia elétrica em 20% nas contas de luz.

No Senado, o projeto 232, de autoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB/PB), está na Comissão de Assuntos Econômicos desde julho. Câmara dos Deputados, o PL 1.917, de 2015, já foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, e a matéria vem sendo analisada nas comissões de Minas e Energia, de Finanças e Tributação, Constituição e Justiça e de Cidadania. O projeto é de autoria dos deputados Marcelo Squassoni (PRB/SP), Antônio Carlos Mendes Thame (PV/SP), Rodrigo de Castro (PSDB/MG), Augusto Carvalho (SD/DF), Odorico Monteiro (PROS/CE) e Pedro Vilela (PSDB/AL).

Ambos os projetos visam assegurar a portabilidade da conta de luz, e a proposta é endossada pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), que lançou a campanha “Quero energia livre”, que também conta com um abaixo-assinado para pressionar os parlamentares. Segundo o presidente-executivo da Abraceel, Reginaldo Medeiros, o Mercado Livre existe no Brasil há 12 anos para os consumidores com contas acima de R$ 80 mil mensais. Hoje há cerca de 10 mil empresas nessa faixa de consumo no País.

A intenção, segundo Medeiros, é implantar o mercado livre no segmento residencial, possibilitando que qualquer consumidor brasileiro possa escolher qual distribuidora vai querer em sua casa. Com o aumento da concorrência, há uma tendência de diminuir o preço para o consumidor final. “Se ele escolhe determinado fornecedor, os R$ 20 que ele pagava à Cemig, por exemplo, vão ser repassados à companhia pelo novo fornecedor, ou seja, a Cemig continua recebendo. Porém, o valor de R$ 80 será negociado entre o cliente e a empresa escolhida”, comenta.

Com essa abertura, o processo de assistência técnica relativo ao fornecimento de energia elétrica continuaria sendo da estatal de cada Estado. “Assim, se houver um vendaval em Minas e a luz acabar, caberá à Cemig, por exemplo, restabelecê-la, independentemente de o consumidor ser, ou não, seu cliente. O atendimento técnico continua sendo da Cemig, mas o comercial é da empresa que a pessoa escolheu. Assim, a energia é a mesma para todos, o que vai mudar é preço, além da qualidade do atendimento”, esclarece.

É importante ressaltar que as concessionárias seguem tendo responsabilidades. Por exemplo, em caso de existirem problemas climáticos, como ocorreu em 2015, e forçou o aumento da conta de luz dos brasileiros, o contrato entre o consumidor e o fornecedor escolhido e as negociações garantem vantagens aos compradores. “Se você compra a energia a R$ 100 e o País explode com a falta de energia, esse fornecedor pode lhe oferecer benefícios para que você reduza sua conta, como, por exemplo, pagar R$ 60, ao reduzir o consumo. E ele vende o excedente a outros”, exemplifica.

A Energia Solar No Brasil 


Por | ENERGIA SOLAR

Os constantes problemas ambientais causados pela utilização de energias não renováveis, aliados ao esgotamento dessas fontes, têm despertado o interesse pela utilização de fontes ambientais como a energia solar.

É uma boa opção na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente, pois consiste numa fonte energética renovável e limpa que não emite poluentes .
A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertida em eletricidade. Para obter energia elétrica a partir do sol de forma indireta, é necessária a construção de usinas em áreas de grande insolação, pois a energia solar atinge a Terra de forma tão difusa que requer captação em grandes áreas. Nesses locais são espalhadas centenas de coletores solares.

Normalmente, a energia solar é utilizada em locais mais isolados, secos e ensolarados. Em Israel, aproximadamente 70% das residências possuem coletores solares, outros países com destaque na utilização da energia solar são os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Indonésia. No Brasil, a utilização de energia solar está aumentando de forma significativa, principalmente o coletor solar destinado para aquecimento de água. Apesar de todos os aspectos positivos da energia solar (abundante, renovável, limpa, etc.), ela é pouco utilizada, pois os custos financeiros para a obtenção de energia são muito elevados, não sendo viável economicamente. Necessita de pesquisas e maior desenvolvimento tecnológico para aumentar sua eficiência e baratear seus custos de instalação.

O que são as bandeiras tarifárias?

Por | NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

As bandeiras verde, amarela e vermelha (patamar I e II) indicam se a energia custa mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade.

Bandeira verde: condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo;

Bandeira amarela: condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,020 para cada quilowatt-hora (kWh) consumidos.
Bandeira vermelha: condições mais custosas de geração. Patamar I: A tarifa sobre acréscimo de R$ 0,030 para cada quilowatt-hora kWh consumido. Patamar II: A tarifa sobre acréscimo de R$ 0,035 para cada quilowatt-hora kWh consumido.

A Bandeira Tarifária Divulgada pela ANEEL para o mês de Setembro/17 é Amarela.

Relatório Energetico Agosto de 2017 – GOVERDE ENERGIA

Por | EFICIENCIA ENERGETICA, ENERGIA SOLAR, MERCADO LIVRE, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

O cenário para 2018 hoje é uma incerteza. Os reservatórios em níveis críticos certamente trazem pessimismo no preço de energia, no entanto, um bom período úmido pode inverter este cenário.

O mês de agosto/17 foi bastante seco, em todas as regiões do país, e os reservatórios tiveram queda de quase 6% neste mês, terminando em 31,5%.

 

O consumo do país teve aumento considerável em relação ao mês de julho e uma variação positiva pequena em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Perspectiva Econômica

No último Boletim Focus divulgado a perspectiva de aumento no PIB do país é de 0,60% para 2017 e 2,20% para 2018. Houve uma melhora de 0,26% para 2017 e 0,20% para 2018, em relação ao mês anterior. Esta variação, mostra uma pequena perspectiva de melhora econômica, uma vez que alguns indicadores estão mostrando otimismo, como por exemplo, aumento de empregos nos últimos meses.

Curva de Preços Futuros

Os últimos meses foram catastróficos em termos de precipitação para todo Brasil, trazendo extrema seca e queda no nível dos reservatórios. Isto fez com que o mercado respondesse com grande aumento nos preços para todo período futuro.

Comentario GoVerde Energia

O cenário de preços atuais, traz perspectiva de pequena viabilidade de migração para 2018, com economias de até 5%, enquanto 2019 a diante a expectativa é de resultados melhores.

O cenário é de muita instabilidade nos preços, principalmente para out-dez/17 e 2018.

Previsão de Bandeira Amarela sobe valor de Energia Eletrica

Por | MERCADO LIVRE, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

Bandeira Amarela foi acionada em cima da previsão inicial de afluências do mês de Setembro, não consolidadas

 

Ao longo do mês de setembro, um sistema de alta pressão meteorológico se instalou em quase todo Brasil, afastando a precipitação. Desta forma, a falta de chuvas fez com que os reservatórios entrassem em “queda livre” e em meados de setembro, já estamos com menos de 30% de reserva.

Este cenário é de quase 13% a menos do que o mesmo período no ano anterior, que terminou dezembro com quase 30%.
Para este ano a previsão é de que o armazenamento esteja abaixo dos 20% em dezembro, trazendo grande pressão para o período úmido.

A figura abaixo mostra a relação ano a ano dos reservatórios para os anos de 2001 e de 2010-2017. É possível notar que atualmente o único ano que possui níveis abaixo do de 2017 é o de 2001, ano em que houve racionamento de energia

Projetos de Eficiência energética 
podem reduzir até 30% do custos com energia elétrica

Por | EFICIENCIA ENERGETICA, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

No primeiro mês deste ano a eficiência energética teve grande destaque no mercado de energia, o consumo de energia elétrica das indústrias totalizou 13.088 GWh, representando um crescimento de 4,4% em relação a igual o mesmo mês do ano anterior, o segundo avanço consecutivo na industria de energia solar. O resultado do consumo industrial de eletricidade talvez aponte uma possível transição gradual de estabilização da eficiência energética juntamente com a economia, embora sinais mais consistentes precisem ser observados para se afirmar isso. Do lado das expectativas, por exemplo, o Indicador de confiança da Indústria divulgado pelo FGV/IBRE, após exibir declínios no último trimestre de 2016, voltou a crescer em janeiro de 2017 ao atingir 89 pontos, o maior patamar desde maio de 2014. Este aumento pode estar associado ao ritmo de queda dos juros a partir de janeiro, à inflação menos pressionada e à evolução de pautas relacionadas à austeridade fiscal no congresso Nacional, contudo, ainda com algumas incertezas associadas ao progresso dessas pautas. Em plena era da Indústria e da sustentabilidade, os sistemas inteligentes não poderiam ficar de fora das ações de eficiência energética aplicadas no setor industrial. A busca por soluções vai desde a troca de equipamentos por outros mais eficientes até a utilização de programas que permitam monitorar o consumo de energia elétrica via internet, possibilitando, assim, o gerenciamento de gastos de uma maneira mais eficaz.

Sertão baiano vê energia solar virar realidade

Por | ENERGIA SOLAR, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

Bom Jesus da Lapa – O sol forte que sempre castigou o sertanejo agora é cobiçado por investidores bilionários que começam a mudar a cara do semiárido baiano. O movimento transformou a pequena Bom Jesus da Lapa, até então conhecida pelo turismo religioso e suas grandes romarias, na capital da energia solar. A cidade, de 63 mil habitantes, localizada à beira do Rio São Francisco, abriga hoje a primeira grande usina solar do Brasil.

Ali, onde o sol nasce antes de o relógio marcar seis horas da manhã e a temperatura quase sempre beira os 35 graus, já estão sendo produzidos 158 megawatts (MW) com o calor do sol. É energia suficiente para abastecer uma cidade de 166 mil residências – Bom Jesus da Lapa, por exemplo, tem 16 mil domicílios. Mais importante que isso, no entanto, é que o projeto representa o primeiro passo para o desenvolvimento de uma indústria bilionária que para de crescer no mundo – no ano passado, avançou 50%.

Só em Bom Jesus da Lapa, a italiana Enel Green Power, dona do empreendimento, investiu US$ 175 milhões, algo em torno de R$ 542 milhões. Em pouco mais de um ano, 500 mil painéis solares passaram a cobrir uma área de 330 hectares, o equivalente a 462 campos de futebol. Nesse período, a cidade sertaneja, acostumada com o vaivém dos fiéis e com cifras bem mais modestas, passou a conviver com uma mistura de idiomas.

Como a cadeia de produção no Brasil ainda é incipiente, os equipamentos para montar o parque solar vieram de várias partes do mundo. Os painéis que captam o calor do sol foram fabricados na China; os conversores para transformar a energia solar na eletricidade que chega à casa dos consumidores vieram da Itália; e a montagem da estrutura que permite a movimentação dos painéis na direção do sol foi feita por espanhóis.

No auge da obra, foram contratados mais de mil trabalhadores para o empreendimento. Por estar ao lado da cidade, não houve necessidade de construir alojamentos, como ocorre em grandes projetos. Além disso, a estrutura de hotéis existente para os fiéis que visitam o santuário de Bom Jesus da Lapa ajudou muito na acomodação dos operários. Ainda assim, novos hotéis e restaurantes foram inaugurados para atender à demanda, que deverá continuar firme por mais algum tempo.

Desenvolvimento. O prefeito do município, Eures Ribeiro (PSD), comemora a descoberta da região pelos grandes investidores. Até a chegada do parque da Enel, a economia local era baseada na produção de banana – o município é o maior produtor da fruta no Brasil – e no comércio voltado ao fiéis. O entorno da gruta que abriga o santuário da cidade e atrai milhares de romeiros é lotado de hotéis, lojas e barracas de lembrancinhas, como chaveiros, camisetas e outros objetos.

A economia local, no entanto, não é suficiente para absorver a mão de obra da cidade. Quase dois terços dos moradores têm idade entre 15 e 59 anos e sofrem com o desemprego e a falta de qualificação. Esse foi um dos temas trabalhados com a Enel como compensação social pelo empreendimento. As comunidades quilombolas que ficam próximas do projeto foram beneficiadas com cursos de pedreiro, eletricista e corte e costura. “Também reivindicamos a construção de uma sede para a comunidade”, afirma Amilton Vitorino Gonzaga, da comunidade Araçá-Volta, onde há 240 residências.

Quase todos da comunidade vivem do Bolsa Família e da agricultura de subsistência. Mas, por causa da falta de chuva, as plantações nem sempre sobrevivem. “O sol sempre foi sinônimo de pobreza, que afastava a população da cidade para os grandes centros. Hoje é sinônimo de riqueza e de desenvolvimento”, afirma o prefeito da cidade.

Pelas contas dele, há cerca de dez empresas com projetos na cidade para começar logo. “Nossa expectativa é que a arrecadação de ICMS (por causa da venda de energia) aumente 300% em cinco anos.” Além da insolação, a atração dos investidores também tem contado com um incentivo da prefeitura, que reduziu o Imposto sobre Serviços (ISS) do projeto.

O presidente da Enel no Brasil, Carlo Zorzoli, diz que a vantagem do sertão nordestino, além do sol forte, é a abundância de terras que não competem com o agronegócios. Além do parque de Bom Jesus da Lapa, a empresa detém outros três projetos na região: Ituverava (254 MW) e Horizonte (103 MW), na Bahia, e Nova Olinda (292 MW), no Piauí. Os três entram em operação até o fim deste ano, colocando a empresa na liderança da produção solar no País, com 807 MW instalados.

“Aqui tem espaço de sobra sem precisar desmatar para construir as usinas”, diz o executivo. Mas, apesar de área disponível, a construção dos parques já começa a inflacionar o preço da terra na região. Em Bom Jesus da Lapa, o valor de um hectare de terra saiu de R$ 2 mil para R$ 20 mil, diz o prefeito da cidade. Por isso, as empresas têm procurado arrendar as áreas para os projetos, em vez de comprar. A medida traz renda fixa para os proprietários durante, pelo menos 20 anos.

Redução de valores seguidas pela Eficiência energética

Por | EFICIENCIA ENERGETICA, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

No primeiro mês deste ano a eficiência energética teve grande destaque no mercado de energia, o consumo de energia elétrica das indústrias totalizou 13.088 GWh, representando um crescimento de 4,4% em relação a igual o mesmo mês do ano anterior, o segundo avanço consecutivo na industria de energia solar. O resultado do consumo industrial de eletricidade talvez aponte uma possível transição gradual de estabilização da eficiência energética juntamente com a economia, embora sinais mais consistentes precisem ser observados para se afirmar isso. Do lado das expectativas, por exemplo, o Indicador de confiança da Indústria divulgado pelo FGV/IBRE, após exibir declínios no último trimestre de 2016, voltou a crescer em janeiro de 2017 ao atingir 89 pontos, o maior patamar desde maio de 2014. Este aumento pode estar associado ao ritmo de queda dos juros a partir de janeiro, à inflação menos pressionada e à evolução de pautas relacionadas à austeridade fiscal no congresso Nacional, contudo, ainda com algumas incertezas associadas ao progresso dessas pautas. Em plena era da Indústria e da sustentabilidade, os sistemas inteligentes não poderiam ficar de fora das ações de eficiência energética aplicadas no setor industrial. A busca por soluções vai desde a troca de equipamentos por outros mais eficientes até a utilização de programas que permitam monitorar o consumo de energia elétrica via internet, possibilitando, assim, o gerenciamento de gastos de uma maneira mais eficaz.

Mercado Livre de Energia – GoVerde Energia

Por | MERCADO LIVRE, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

De acordo com Estudo setorial da GoVerde Energia o Mercado Livre de Energia se consolida no mundo como uma forma potencial de economia, meio seguro e confiável de adquirir energia elétrica por um valor negociável. forte aumento das tarifas de energia das distribuidoras nestes últimos anos, fruto do realismo tarifário, fez ressurgir o movimento de migração de consumidores industriais e comerciais para o mercado livre, segundo comercializadores de energia movidas pelo valor tarifário.

O custo de energia no mercado livre esta hoje entre 12% e 22% mais baixo que no ambiente cativo, das distribuidoras de energia dependendo da região, de acordo com pesquisas das consultorias energéticas. Hoje, há em media 1.929 empresas no Brasil que já aderiram a esta modalidade.

As empresas que assinaram contratos para mudar os  custos e modo de vida, representaram uma mudança visível de 45% do consumo de energia, é sem dúvidas uma migração recorde para o mercado de energia. Nos próximos 6 meses, o governo aposta que mais de 378 empresas devem aderir ao mercado livre de energia no Brasil, o que faz com que grandes consumidores como fabrica, mercados e shopping, terão como vantagem comprar energia diretamente dos geradores ou comercializadores, através de contratos bilaterais com condições livremente negociadas, como preço, prazo, volume, e ainda escolhe o fornecedor de luz e acerta o preço que quer pagar.

Brasil estuda inserir renováveis enquanto aposta em hidrelétricas alto sustentáveis

Por | ENERGIA SOLAR, NOVIDADES MERCADO DE ENERGIA

Reservatórios e usinas reversíveis seriam importantes para compensar a incerteza que a variação do vento e do sol causa sobre a produção das renováveis

São Paulo – O Brasil vai estudar os limites técnicos e custos para a inserção de fontes renováveis em sua matriz energética, como usinas eólicas e solares, mas a política do país deverá manter o foco nas hidrelétricas, até mesmo como forma de apoiar a geração intermitente dessas novas fontes, disse à Reuters o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso.

“A nossa ‘renovável-chefe’ é a hidreletricidade. A presença das ‘novas renováveis’ –pequenas hidrelétricas, eólica e solar– é uma realidade e o planejamento tem atuado e continuará atuando para facilitar sua penetração de forma sustentável… hidrelétricas e outras fontes renováveis de energia são complementares”, disse. Ele adiantou que a EPE pretende avaliar ainda neste ano os limites e formas mais eficientes de viabilizar a expansão dessas fontes.“Este estudo, que gostaríamos de desenvolver em 2017,determinaria quanto o sistema pode acomodar de renováveis e responderia qual é o custo incremental de acomodar um limite maior de penetração”, comentou.Ele admitiu, no entanto, que é difícil viabilizar de imediato investimentos em novas usinas em um momento em que a desaceleração da economia devido à crise financeira do Brasil gerou uma sobra estrutural de energia.
Um leilão que contrataria projetos eólicos e solares no final de dezembro passado acabou cancelado pelo governo devido a essa sobra estrutural. “Em função da perspectiva do crescimento econômico, a necessidade de nova energia nos leilões… será um desafio para a contratação de qualquer fonte no país em um horizonte de mais curto prazo”, disse Barroso, para quem a demanda menor afeta também projetos voltados ao mercado livre de energia. Ele destacou que, enquanto isso, a energia solar pode se expandir com projetos de geração distribuída, como placas fotovoltaicas em telhados de residências ou comércios. Para Barroso, essa forma de geração já é econômica e “de visível interesse da sociedade”.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), existiam em novembro passado 6,6 mil projetos de geração distribuída, o que representa crescimento de mais de 260 por cento desde o final de 2015. O presidente da EPE disse ainda que há um grupo de trabalho do governo dedicado a rever o elevado nível de subsídios presente atualmente na conta de energia, mas destacou que isso não deverá atrapalhar o crescimento da energia renovável.“Tudo será conduzido com bastante comunicação com o mercado. Em minha opinião, as renováveis podem sim ser introduzidas de maneira competitiva e sem subsídios no Brasil.”

Hidrelétricas no alvo

Enquanto estuda formas de fomentar as “novas renováveis”, o Brasil irá discutir impactos socioambientais das hidrelétricas e buscar soluções para viabilizar novos empreendimentos da fonte.“Em outras palavras, queremos construir os empreendimentos certos e de maneira correta”, disse Barroso.Ele adiantou que a EPE desenvolve atualmente estudos de inventário e de viabilidade técnica e ambiental de algumas usinas hídricas, como Castanheira, com cerca de 140 megawatts, e Bem Querer, que teria cerca de 700 megawatts.“Importante ressaltar que outros agentes setoriais também desenvolvem estudos de inventário e de viabilidade. Além disso, a EPE está iniciando estudos visando identificar potencial e projetos de usinas de regularização (com reservatórios). Também iniciamos alguns estudos voltados para usinas reversíveis”, disse Barroso.De acordo com ele, essas ações correrão em paralelo com um debate sobre a possibilidade de novas hidrelétricas na Amazônia.“Os resultados dessas ações determinarão a possibilidade de encaminhamento de projetos para leilão nos próximos dois anos”, apontou Barroso.

Matriz hídrica limpa

A EPE destacou ainda que as hidrelétricas brasileiras podem ser um aliado de peso para a redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE), o que vai contra acusações de grupos ambientalistas, que chegaram a acusar essas usinas de serem mais poluentes que algumas termelétricas. “Um recente estudo de pesquisa desenvolvido com apoio de várias universidades… revelou, ao contrário do que se pensava, que as usinas no Brasil emitem muito menos… das 11 usinas avaliadas no projeto, o maior valor de emissão foi de cerca de um 1/5 de uma usina a gás natural ou 1/10 de uma usina a carvão”, disse Barroso.
Ele apontou que a única exceção é a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, que foi construída durante a ditadura militar no Brasil e ficou famosa como um caso de grande impacto ambiental. A usina emite gases porque a vegetação nativa não foi retirada antes do enchimento do lago. “Neste caso a emissão foi praticamente duas vezes superior a uma usina a carvão”, comentou o chefe da EPE. Para ele, a matriz brasileira, contando as usinas hídricas, tem uma presença de renováveis comparável ao que muitos outros países buscam alcançar “em algumas décadas”.